sábado, 12 de setembro de 2009

Eu, que me desconheço

.
Preciso ouvir uma música silenciosa
e solitária
há palavras demais em mim
Quero uma ou outra palavra formosa
e ordinária
como flores vadias de nenhum jardim

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Un petit coin de politiquement incorrecte...


La cigarette est le parfait exemple d’un parfait plaisir. C’est une chose exquise et qui nous laisse inassouvis.

Oscar Wilde

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Eu sou brega!!!


Quando o assunto é música, partindo das classificações pré-existentes sobre o que é “bom” e o que é “ruim”, é considerável a minha inclinação por músicas que costumam ser localizadas na prateleira do “ruim” e chamadas de brega. Depois de alguma crise existencial, passei a valorizar mais meu gosto por várias destas músicas classificadas sob este nome.
Wando, por exemplo: podem falar o que for, mas é impossível deixar de reconhecer a beleza poética de “Moça”. O verso “Moça, moça eu te prometo, eu me viro do avesso só pra te abraçar...”, pra mim, é perfeito. Exceto a parte “moça, sei que já não és pura...”, todo o restante da letra é lindo de doer. Se bem que os versos sobre a pureza da moça também têm sua graça: a música não seria a mesma sem eles...


Outro exemplo é ABBA. Na verdade, não sei se as músicas deste grupo são classificadas como brega. Não sou lá muito fã do grupo e nem me imagino ouvindo um disco inteiro dele. Mas eu poderia ouvir uma ou outra música muitas vezes seguidas. Uma delas é “I have a dream”. O engraçado é que, definitivamente, não acredito em anjos, mas adoro a parte que começa com “I believe in angels...”!!! Bom, não sei como explicar esse paradoxo, mas também não me importo com isto.
Ah, a letra e a melodia são maravilhosas! Vivo ouvindo essa música nos momentos em que estou muito animada, deixando extravasar toda breguice a que tenho direito:


Metáfora fantástica e fascinante


O post anterior me fez interpretar que os anjos são metáforas de nós mesmos. Temos a necessidade de acreditar nos outros e precisamos que acreditem em nós. Precisamos ter quem cuide de nós e gostamos de cuidar de quem amamos.
Ao mesmo tempo, não conseguimos tudo o que queremos e somos imperfeitos. Então nos recriamos com asas, produzindo uma metáfora fantástica, sob a forma de um outro. Um outro fascinante, que não falha e que está lá quando falhamos.
Isso me fez lembrar da cena da trapezista em “Asas do Desejo”:

quinta-feira, 2 de julho de 2009

a hora da poesia


para compor desejos em versos
preciso deixar que as palavras tomem conta do corpo
mergulhar no mar revoltoso que elas habitam
nadar profundamente entre elas
e nelas me afogar
a poesia acontece na hora da morte
e a morte vai embora contrariada

histórias da língua brasileira



“Minha vó contava uma história quandu a família tava reunida, sobri um tiu... achu qui é tiu avô, num sei... bom, essi tiu chamava Zuardo, mais u nomi deli era pá sê Osvaldo! “. É qui quandu fôru registrá eli, disséru “Osvardo” tão rápidu, cum um ô qui nem dava pra ouví e cum um érri nu lugar di éli, qui u iscrivão intendeu Zuardo! I intão ficou assim...”
Ana Cláudia, 04 de maio de 1999

“Pois é. U purtuguêis é muito fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im portuguêis, é só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muito diferenti. Qui bom qui a minha lingua é u purtuguêis. Quem soubé falá, sabi iscrevê.”
Jô Soares, revista veja, 28 de novembro de 1990


Já faz 10 anos... Em 1999, durante o meu primeiro ano de graduação em lingüística, fiz um trabalho para a disciplina Introdução aos Estudos da Linguagem e o publiquei alguns anos depois, na página de publicações dos alunos do IEL/Unicamp (Ferreira, 2003).

Esse trabalho, não sei como, parece ter caído no gosto do público. Quando o meu e-mail @iel.unicamp ainda funcionava, eram freqüentes as mensagens de pessoas que queriam saber mais sobre o assunto.

Sempre fiquei um pouco apreensiva ao responder, pois esse texto é apenas um trabalho de quem ainda estava engatinhando nos estudos lingüísticos. Ao mesmo tempo, depois que foi publicado, eu já estava em outro lugar teórico, o que considera a língua brasileira. Essa língua fluida e real, que tem uma espessura histórica própria. Essa língua que eu falo, que a família do meu tio-avô Zuardo fala. Essa língua do Brasil.

Para quem se interessar pelo tema, sugiro a leitura do verbete 'língua brasileira' no site da Enciclopédia das Línguas no Brasil (http://www.labeurb.unicamp.br/elb/portugues/lingua_brasileira.html) e recomendo a obra Língua Brasileira e Outras Histórias (Orlandi, 2009), que reúne um conjunto de textos sobre língua brasileira, língua portuguesa, estudos lingüísticos e gramaticais e o processo de descolonização lingüística.



Referências Bibliográficas

Ferreira, Ana Cláudia Fernandes (2003) "As Variações da Língua". Disponível em:

Orlandi, Eni. "Língua Brasileira". Enciclopédia das Línguas no Brasil - ELB. Disponível em: http://www.labeurb.unicamp.br/elb/portugues/lingua_brasileira.html
_____. (2009) Língua Brasileira e Outras Histórias. Discurso sobre a língua e ensino no Brasil. Campinas: RG Editores.

sábado, 20 de junho de 2009

Goethe...

“Se uma luz atrair você, siga-a. Se ela conduzir você a um pântano, dele sairá. Porém, se não a seguir, terá sempre na vida a impressão de que aquela era a sua estrela”.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Rien n'est evident

fazer “tudo certo” pode dar errado
fazer “tudo errado” pode dar certo

terça-feira, 16 de junho de 2009

Radio Muda...


Bons tempos aqueles da radio muda na década de 90... Lembro do programa comandado pelo Toni e pelo Fernandón (onde andam vocês???), que tinha o singelo título "Acorda Filha da Putaaaaa!". O programa fazia todo mundo acordar na marra! A programação misturava rock, punk rock e música caipira...



Há pouco tempo a radio ficou muda. Foi fechada pela Unicamp. Uma pena...

domingo, 3 de maio de 2009

Perguntinha...

respondendo a perguntinha "quem sou eu" do orkut em momento crítico de revisão da tese:

uma louca mergulhada em palavras envolventes
às vezes falta o ar
às vezes o fôlego surpreende

uma palavra enlouquecida em mergulhos surpreendentes
às vezes falta o envolvimento
às vezes o ar suspende

um envolvimento supreendente em palavras mergulhadas
às vezes falta o enlouquecido
às vezes a palavra se rende

... isso só pode ser alguma síndrome de anagrama que acomete os lingüistas de vez em quando...


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Pintinhas e estrelas


tatuagens naturais
de constelações de estrelas
o escorpião visível no peito
o cruzeiro do sul pertinho
a estrela da manhã escondida
e outras pintinhas sem nome
brilham na curva de sonhos
e de poeiras efêmeras

quinta-feira, 16 de abril de 2009

A tese, as palavras, o novo, o vento.


Outras vezes ouço passar o vento,
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.
Psoa - A espantosa realidade das coisas


Que minhas palavras voem nesta última semana, neste último prazo, nestas últimas madrugadas de revisão de tese.

Depois tudo vai mudar. Vou de encontro ao novo. Ah, quero o novo. Vou me atirar ao vento e ele que me leve para onde quiser.


a música
tal como a palavra
é vento
ela me leva
e vou
com ela
nela
sou uma folha

quinta-feira, 2 de abril de 2009

A gente vive


a gente vive o tempo
que é também espaço
e pausa

a gente vive os encontros
que são também palavras
e silêncios

a gente vive o real
que é também sonho
e cores

espaço, pausa
palavras, silêncios
sonho, cores

a gente vive a vida
tão longe e tão perto
intensamente, a vida


Machado de Assis...


"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar".

segunda-feira, 23 de março de 2009

Je ne regrette rien


O avião acaba de pousar no aeroporto St. Exupéry. Ah, estou em Lyon novamente. Voilà, parece que cheguei em casa. Lágrimas de emoção? Não, não vieram. O que sinto é uma sensação de lar, uma sensação agradável e engraçada.

Estou de volta. Ah, vou caminhar pelos lugares onde já estive como se nunca tivesse ido embora, como se essa cidade fosse logo ali, pertinho da minha, como se eu pudesse visitá-la sempre, como se fosse rotina, como foi.

Compro o meu ticket na bilheteria da navette inteiramente satisfeita: “bonjour, je veux bien un ticket allez simple, si vous plait”. Allez simple... Tão simples, tão diferente da primeira vez! Ah, maintentant je parle français... pas très bien en fait, mais ça va.

Na navette, vou apreciando a paisagem e pensando na alegria de encontrar a Carol morando aqui, onde já morei. Agora Lyon é a casa dela também. Ai, vou atrasar! Se bem conheço a Carolina, ela já deve estar preocupada. Ah, e os amigos que vou rever novamente! Nem acredito...

Melhor ir treinando o francês... Já esqueci um monte de palavras do meu escasso vocabulário...

Ah, que bom, né? Não sou mais chorona! Como é bom me sentir como “gente civilizada” num momento como este! E ainda consigo ser irônica, que beleza...

E assim, esperando ver logo a Gare Part-Dieu, vou curtindo esse momento de felicidade sem grandes deslumbramentos.

Até que... na rádio da navette, começa a tocar uma música :

Non, rien de rien!
Non, je ne regrette rien!




Assisti La Môme quando morava na França...


É...

Os pensamentos correm agora desordenadamente, sem que eu consiga controlá-los... Tantas coisas que vivi nesta cidade passam, em instantes, pela minha cabeça. Um momento, um lugar, uma história, uma canção, várias canções... Todas essas coisas conseguem fazer com que, em mim, uma emoção civilizada se transforme em lágrimas...

Silenciosamente, tête vers la fenêtre, olhando fixamente para fora, fugindo dos olhares dos passageiros (inquisidores, constrangidos, condoídos? nem quero ver!), estou chorando...

Algumas convicções duram tanto! “Não sou mais chorona!”... Essa virou poeira em segundos... Mas não era isso que eu queria? No fundo, era. Ah, que se dane! Meu coração é selvagem! (tenho que ler Clarice Lispector de verdade...)

Não pense, leitor, no entanto, que choro um rio de Piracibaba aqui na navette. Menos, né... É um chorinho silencioso, como já disse. Uma garoinha... Un moment inoubliabe no retorno à minha ville querida.


essa viagem rendeu outras viagens de sonho...
et je ne regrette rien!!!

; )


Rapunzel, Joana D’Arc e Jan(i)e Jones


Sempre quis ter os cabelos longos. Ah, se eu tivesse as compridas madeixas de fogo daquela menina de Cem anos de Solidão...

Ainda moleca, invejava os esvoaçantes cabelos das heroínas das gravuras dos contos de fada. Como queria que a cabeleira chegasse aos pés: "Rapunzel! Jogue as tranças!"...

Gostava de desenhar mil versões de princesas, sempre com os cabelos enormes que desejava ter.

visual princesa encantada da floresta...



Anos depois, numa onda meio punk, meus desenhos começaram a incluir personagens de cabelos curtinhos também.



visual punk rock...


Por duas ou três vezes consegui deixar as madeixas chegarem até quase a cintura. Um dia, como num surto, decidi passar de Rapunzel à Joana D’arc. Na verdade, nunca levei o movimento punk muito a sério, só tinha vontade de ser louca, então descontei no cabeleireiro.

Out of my mind on Saturday night
1970 rolling in sight…




Choque coletivo da família e dos amigos. Com exceção de um inconformado ou outro, a maioria aprovou o novo visual.

Mas ainda hoje, tenho vontade de voltar ser Rapunzel... Ou então imitar a Natalie Portman no papel da stripper Alice (ou Jane Jones!), com suas perucas de estilos e cores variadas. Seria divertido poder mudar o visual conforme der na telha.


Lingüista de fachada e stripper descabelada? Quem sabe em breve, quando meus recursos forem menos escassos. Por enquanto, sou apenas uma escritora desvairada mesmo...

(Jane Jones é quase Janie Jones, como na música do The Clash. Não consigo desvincular um nome de outro).